A DIFERENÇA ENTRE EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Educação especial e educação inclusiva,na legislação brasileira,estão cada vez mais próximas,embora do ponto de vista histórico e estrutural,as duas modalidades possam nos parecer significativamente antagônicas.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996,artigo 58, a educação especial é definida como “modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com necessidades especiais”. A referida lei versa ainda sobre as adaptações curriculares, metodológicas, organizacionais e de especialização de professores para atender esse alunos.
A Secretaria de Educação Especial (SEESP) do Ministério da Educação e Cultura (MEC) é o órgão oficial que se responsabiliza pelo planejamento de ações voltadas ao atendimento educacional do público com necessidades educacionais especiais.
Por muitos anos a educação especial ocorreu em espaços separados, seja em escolas especiais, seja em classes voltadas para determinado tipo de deficiência.
Antigamente a educação especial se configurava como modalidade de ensino,cuja separação das crianças era feita por tipo e grau de deficiência. Em seguida houve uma progressiva mudança de uma estrutura segregada para uma modalidade de ensino na qual se prima pelo direito de toda criança frequentar uma escola comum, independente de tipo e grau da deficiência.
A expressão Educação Especial tem origem nas experiências do médico francês Jean Itard com a educação do menino selvagem de Aveyron, no início do século XIX. As experiências de Itard foram referências para a criação de técnicas e de materiais usados até hoje em educação de crianças com necessidades especiais.
Como podemos observar hoje, a tecnologia desenvolvida no âmbito da educação especial trouxe benefícios às demais crianças; contudo a ambientação segregada deixou sequelas sociais, fortalecendo mitos, preconceitos e esteriótipos.
O paradigma da educação inclusiva não se modifica pela imposição da lei. São necessárias transformações na identidade e na representação dos professores em relação às crianças com deficiência, para que estas ao serem matriculadas em classes regulares, não continuem sendo excluídas das oportunidades de desenvolvimento relacional e pedagógico.
É importante lembrar que o simples acesso das crianças com deficiência às classes regulares não significa inclusão.
Paradigma especial:
*Foco nos defícits do aluno
*Ênfase no treinamento da criança visando a que ela se ajuste ao meio escolar
*O objetivo do diagnóstico é identificar o quociente intelectual (QI) e as limitações para que se possa estabelecer o tipo de escola especializada.
*Atendimento em classe ou escola especializada:separado das demais crianças
*Escolas preparadas para receber alunos com uma especificidade de problema
*Prefessores especialistas em determinada deficiência
*Objetivo educacional centrado no treinamento,com o intuito de favorecer a adaptação social da pessoa.
Paradigma Inclusivo:
*Foco nas ilhas de inteligência que estão preservadas
*Ênfase na mudança do ambiente para proporcionar melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento
*Diagnóstico multidisciplinar,realizado por médico,psicólogo,assistente social,fonoaudiólogo,terapeuta educacional,pedagogo,professores e outros
*O objetivo do diagnóstico é identificar habilidades prévias e necessidades de apoio com a finalidade de elaborar um programa educacional individualizado
*Atendimento em classe regular junto a seus pares de idade;apoio especializado com suporte ao professor
*Escolas preparadas para educar na diversidade
*Educadores preparados para oferecer ensino de qualidade a qualquer criança
*Objetivo educacional centrado na aprendizagem significativa,favorecendo a aquisição de habilidades pessoais,sociais e profissionais que contribuam para a inclusão social da pessoa com deficiência.

